Birigui se torna capital nacional da inovação calçadista paulista com o Integra Summit 2026

Evento reuniu lideranças dos quatro grandes polos do setor e selou a criação do Comitê Interpolos, marco na construção de um ecossistema calçadista para o Estado de São Paulo

Nos dias 23 e 24 de setembro, a cidade de Birigui, no interior paulista, tornou-se o centro das atenções do setor calçadista nacional. Na sede do Sindicato das Indústrias de Calçados e Vestuário de Birigui (Sinbi), aconteceu a primeira edição do Integra Summit Calçadista Paulista, evento que reuniu empresários, gestores públicos, pesquisadores, estudantes e lideranças de todo o Estado em torno de um objetivo comum: fortalecer a competitividade da indústria de calçados paulista por meio da cooperação entre os polos produtivos.

Com programação focada em temas como inovação, cooperação, planejamento, design, tecnologias habilitadoras, industria 4.0 e inteligência artificial, o Summit ofereceu palestras, painéis temáticos, rodadas de networking e uma agenda dedicada à inovação, consolidando-se como um dos encontros mais relevantes já realizados pelo setor no interior de São Paulo.

O evento é o principal desdobramento do Projeto Integra, iniciativa aprovada no âmbito do Programa SP Produz, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo. O programa tem como missão fortalecer as Cadeias Produtivas Locais (CPLs) paulistas, estimulando a auto-organização de aglomerações produtivas setoriais em todo o território estadual.

A proposta que deu origem ao Integra partiu da Cadeia Produtiva Local do Calçado de Birigui — reconhecida pelo próprio programa estadual como uma CPL madura, com uma das notas mais altas entre os arranjos produtivos avaliados pela SDE — em articulação direta com as CPLs de Jaú, Franca e Santa Cruz do Rio Pardo, os outros três grandes polos calçadistas do Estado. A união dessas quatro regiões, historicamente reconhecidas por sua tradição na fabricação de calçados, mas que muitas vezes competiam entre si de forma isolada, é o elemento central que confere ao projeto seu caráter inédito: transformar concorrência regional em cooperação estratégica.

Ao longo do último ano, as quatro cadeias produtivas trabalharam de forma conjunta na estruturação de uma governança compartilhada e na elaboração de um planejamento estratégico comum. Esse processo, apresentado com detalhes durante o Summit, envolveu diagnósticos setoriais, rodadas de escuta com empresários e representantes institucionais, e a construção de diretrizes que devem orientar as ações do setor nos próximos anos — sempre alinhadas à visão de posicionar o ecossistema paulista como referência nacional em inovação, sustentabilidade, design e competitividade colaborativa até 2035.

Ao longo dos dois dias de evento, o público acompanhou uma programação robusta, com palestras e painéis que discutiram tendências de mercado, inteligência artificial aplicada à indústria, novos modelos de negócio, design, sustentabilidade e os desafios da cadeia produtiva calçadista frente à transformação digital. Especialistas do setor produtivo, representantes de entidades de classe, pesquisadores e gestores públicos dividiram o palco principal, oferecendo ao público uma visão ampla sobre os caminhos de desenvolvimento do segmento.

Um dos pontos altos da programação foi o Pitch Day, momento dedicado à apresentação de projetos tecnológicos e de inovação desenvolvidos ao longo do ano por estudantes em parceria com grandes empresas dos polos calçadistas. As apresentações, feitas em formato de pitch de cinco minutos para uma banca avaliadora, revelaram soluções voltadas à modernização de processos produtivos, automação, sustentabilidade e novas tecnologias aplicadas à manufatura de calçados — evidenciando o potencial da nova geração de talentos formada dentro do próprio ecossistema produtivo. O Summit também recebeu o Startup Pitch Summit 2026, com seleção de até oito startups com soluções inovadoras voltadas ao setor industrial, ampliando as pontes entre empreendedorismo, tecnologia e a indústria tradicional do calçado.

O momento de maior significado institucional do Summit, no entanto, foi a oficialização do Comitê Interpolos do Calçado Paulista, instância que passa a integrar formalmente os quatro polos calçadistas do Estado — Birigui, Jaú, Franca e Santa Cruz do Rio Pardo. O comitê nasce com a missão de coordenar de forma permanente as ações conjuntas entre as regiões, consolidando a construção de um verdadeiro ecossistema paulista do calçado, capaz de somar forças em temas como inovação, formação de mão de obra, internacionalização, acesso a novas tecnologias e fortalecimento da imagem do calçado paulista dentro e fora do país.

A criação da instância é vista por lideranças do setor como um divisor de águas na história recente da indústria calçadista do Estado. Ao unir sob uma mesma governança regiões que respondem por parcela significativa da produção nacional de calçados, o comitê sinaliza a maturidade de um setor que compreende que a competitividade global exige articulação regional e colaboração entre elos que antes atuavam de forma isolada.

Todo o trabalho realizado ao longo do último ano — da estruturação da governança compartilhada entre as quatro CPLs à concepção e organização do próprio Summit — foi conduzido e liderado pela Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia (FSNT), instituição responsável pela execução técnica do Projeto Integra. Coube à Fundação articular as quatro cadeias produtivas, apoiar o desenvolvimento de soluções tecnológicas para as empresas do setor, estruturar o planejamento estratégico apresentado durante o evento e planejar cada detalhe da programação que levou a Birigui centenas de participantes ao longo dos dois dias.

O papel da FSNT reforça a importância de Institutos de Ciência e Tecnologia (ICT) especializados na execução de políticas públicas de desenvolvimento produtivo, servindo de ponte entre o setor privado, o poder público estadual e a comunidade acadêmica e de inovação.

Ao reunir governo, indústria, academia e novas gerações de empreendedores em um só palco, o Integra Summit Calçadista Paulista 2026 cumpriu o papel de vitrine e, ao mesmo tempo, de laboratório para o futuro do setor calçadista no Estado. Mais do que um encontro pontual, o evento consolidou um processo de articulação que vinha sendo construído ao longo do último ano e que agora ganha estrutura permanente com o Comitê Interpolos.

Para os quatro polos envolvidos — e para o setor calçadista paulista como um todo —, o Summit realizado em Birigui representa um marco simbólico: a passagem de uma indústria historicamente fragmentada por regiões competidoras para um ecossistema colaborativo, apoiado por política pública estadual e conduzido com rigor técnico, com vistas a consolidar São Paulo como referência nacional em inovação e competitividade na produção de calçados.